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A IA saiu da tela e está em seu campo de visão

  • Foto do escritor: Internology Soluções em Marketing
    Internology Soluções em Marketing
  • 14 de mai.
  • 5 min de leitura

A IA saiu da tela. Agora ela está no seu campo de visão e isso muda tudo para o marketing


Durante décadas, a disputa pelo consumidor aconteceu num território bem definido: a tela. Banner, feed, stories, notificação push, anúncio pré-roll. Toda a lógica do marketing digital foi construída sobre uma premissa simples. O consumidor olha para uma superfície de vidro, e você precisa estar lá quando isso acontece.


Essa premissa está sendo substituída. Não por uma tendência abstrata nem por um paper acadêmico. Por produtos concretos, disponíveis para compra, com preço e especificações publicadas. Óculos com inteligência artificial integrada que projetam informações diretamente no campo de visão do usuário, sem tela, celular e interrupções.


Estamos na virada. Quem entender isso antes do barulho vai sair na frente.


Homem com óculos de realidade aumentada na Av. Paulista, cercado por informações digitais. Expressão surpresa, clima ensolarado.

Os produtos que estão redefinindo o jogo


Meta Ray-Ban Display


Em setembro de 2025, a Meta apresentou o Ray-Ban Display durante o Connect e colocou o produto nas prateleiras americanas no dia 30 do mesmo mês a US$ 799. O pacote inclui os óculos e a Meta Neural Band, uma pulseira que lê sinais musculares do pulso e transforma micromovimentos em comandos.


O display fica embutido na lente direita com resolução de 600x600 pixels e brilho de até 5.000 nits, o suficiente para leitura confortável sob sol direto. A câmera tem 12 megapixels. Com os óculos no rosto, o usuário verifica mensagens do WhatsApp, Messenger e Instagram, recebe navegação com mapa visual, traduz conversas em tempo real, faz chamadas de vídeo e interage com o Meta AI. Tudo com o celular no bolso.


Na CES de janeiro de 2026 a Meta foi além. Anunciou teleprompter discreto integrado ao display, com o texto avançando conforme a fala e controlado pela pulseira. Também liberou a escrita de mensagens com o dedo em qualquer superfície. A navegação pedestre chegou a 32 cidades e deve expandir rápido.


Even Realities G1 e G2


A Even Realities chegou ao mercado antes da Meta no quesito display real. O G1 custa US$ 599, tem aparência de óculos comum, vem em três cores, aceita lentes de grau e projeta um HUD minimalista no campo visual esquerdo via waveguide. A bateria dura 1,5 dia de uso, bem acima do que a maioria dos concorrentes entrega.


As funções incluem teleprompter sincronizado com a voz, tradução em 13 idiomas, navegação e integração com ChatGPT e Perplexity. O G1 ganhou notoriedade quando o fundador da Oculus e da Anduril subiu ao palco do TED 2025 sem nenhuma anotação visível e entregou uma apresentação impecável. Depois revelou que tinha lido tudo pelo G1. O TED proíbe teleprompters. Óculos, ao que parece, estão liberados.


A empresa lançou o G2 com melhorias incrementais e posicionamento cada vez mais voltado ao uso profissional cotidiano.


MIRA


O MIRA é a proposta mais arrojada do mercado hoje. Pesa 39 gramas, não tem câmera, tem bateria de 10 horas e display waveguide duplo. A IA escuta o dia do usuário continuamente, transcreve tudo, cria resumos e permite busca sobre qualquer coisa que foi dita ou ouvida. Não responde com informação genérica da internet. Responde com base no contexto real de quem usa, incluindo documentos, e-mails e conversas anteriores.


O produto foi criado por AnhPhu Nguyen e Caine Ardayfio, ex-alunos de Harvard que captaram US$ 6,6 milhões em rodada semente liderada pela General Catalyst em novembro de 2025. O posicionamento é o de copiloto cognitivo: não um assistente que espera ser chamado, mas um agente que age proativamente com base no que já sabe sobre você. Todo o áudio é deletado permanentemente após a transcrição, que fica armazenada no dispositivo do usuário. Por enquanto disponível apenas nos EUA, a partir de US$ 649.


Ray-Ban Meta Gen 2 e Oakley Meta


Para quem quer IA nos óculos sem display, a linha sem tela da Meta continua evoluindo. O Ray-Ban Meta Gen 2 chegou com o modelo Llama 4 integrado e permite chamadas, mensagens e respostas a perguntas por voz. A parceria com a Oakley, lançada em junho de 2025, trouxe os modelos HSTN e Vanguard para esportes e lifestyle de desempenho. Em dezembro do mesmo ano, uma atualização passou a amplificar a voz da pessoa com quem o usuário está conversando diretamente nos alto-falantes dos óculos, o que é muito útil em ambientes barulhentos e mostra bem o nível de integração contextual que esses dispositivos já alcançam.


O mercado: números que tiram o assunto da ficção científica


Os dados convergem numa direção só. Os embarques de óculos inteligentes cresceram 110% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, com o segmento de IA representando cerca de 78% do total. O mercado global chegou a aproximadamente US$ 9,2 bilhões em 2025 e pode atingir US$ 62,8 bilhões até 2034.


O Citi Research projeta embarques de 112 milhões de unidades até 2030, com uma taxa composta de crescimento de 105% a partir de 2024. O relatório BoF-McKinsey State of Fashion 2026 aponta que a categoria deve superar US$ 30 bilhões ainda nesta década.


Além dos players já citados, o campo inclui Google (que relançou protótipos com Android XR em maio de 2025), Microsoft (com patentes de CoPilot AR reveladas em julho do mesmo ano), Samsung, Apple, XREAL, Rokid, Vuzix, RayNeo da TCL, Solos, Amazon Echo Frames, Xiaomi e Huawei. Não é mais nicho. É uma categoria com dezenas de players sérios e bilhões em investimento ativo.


O que muda para quem trabalha com marketing


Tudo isso seria apenas mais uma notícia de tecnologia se não tivesse implicações diretas para como marcas se comunicam, vendem e constroem presença. Tem.


Quando o ponto de atenção migra da tela para o campo visual do consumidor, três coisas mudam de forma estrutural.


O intermediário muda. Hoje o consumidor abre o Google ou o Instagram e encontra sua marca no resultado. Com óculos de IA, ele pergunta ao agente que já conhece seus hábitos, sua agenda, seus documentos e suas preferências históricas. Esse agente vai filtrar, priorizar e recomendar. A questão deixa de ser onde apareço e passa a ser como apareço dentro do contexto que o agente do meu consumidor já construiu sobre ele.


O comportamento de busca muda. Pesquisa por voz e por contexto já vinha crescendo antes dos óculos com IA. Esses dispositivos aceleram essa curva de forma abrupta. "Qual restaurante fica no meu caminho para a reunião de amanhã" é uma query contextual que o agente responde considerando agenda, localização e histórico do usuário. SEO baseado em palavras-chave não chega perto de resolver isso.


O conceito de atenção muda. Anúncios, conteúdo, presença de marca: tudo foi calibrado para o modelo de atenção da tela. O usuário para, olha, processa. Com óculos, a atenção é contínua, fluida, fragmentada em milissegundos. A mensagem que não for imediatamente relevante para o contexto daquele momento simplesmente não existe para aquele usuário.


Essas mudanças não chegam de uma vez. Chegam na curva. Quem começa a mapear agora tem vantagem real sobre quem vai correr para se adaptar quando a adoção já for massa.


A lição que trinta anos de mercado ensinam


Smartphone era nicho em 2007. Em 2010 as primeiras marcas sérias começavam a falar em estratégia mobile. Em 2015 quem ainda não tinha o mobile como centro já estava atrás. Em 2020 não ter presença digital funcional era o mesmo que não existir.


A janela de vantagem competitiva nesse tipo de transição tecnológica não está no pico da adoção. Está antes do barulho, quando a maioria ainda acha que é coisa de early adopter e não vale a atenção.


O que os óculos com IA representam, em termos estratégicos, não é um gadget novo para um público nichado. É o começo de uma reconfiguração de onde e como as marcas precisam existir na vida do consumidor. Quem começa a fazer as perguntas certas agora vai ter respostas quando o mercado ainda estiver tentando entender qual é a pergunta.


Internology Soluções em Marketing, Negócios e Tecnologia — www.internology.com.br

 
 
 

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